Defensores/as de direitos humanos precisam de apoio para manter sua atuação destemida em um mundo cada vez mais hostil

Pelo menos 358 defensores/as mortos/as em 28 países por seus trabalhos pacíficos em 2025
Defensores/as corajosos/as de direitos humanos (DDHs) em todo o mundo frequentemente traçam o rumo da luta contra a injustiça, mas precisam do apoio da comunidade internacional para manter seus trabalhos de salvar vidas em meio a um cenário cada vez mais hostil, disse a Front Line Defenders ao lançar seu principal relatório hoje. A Análise Global da Front Line Defenders 2025/26 fornece um panorama detalhado das violações, no ano passado, contra defensores/as de direitos humanos em risco em países ao redor do mundo.
O relatório também divulga estatísticas geradas e verificadas pela iniciativa Memorial DDH – coordenada pela Front Line Defenders – sobre os assassinatos de, pelo menos, 358 DDHs em 28 países em 2025. Os países com o maior número de assassinatos documentados foram Colômbia (165), México (43), Palestina (43), Brasil (22) e Honduras (13). Defensores/as que trabalham com direitos fundiários, ambientais e de comunidades camponesas (23,46%); DDHs que trabalham com direitos dos povos indígenas (17,03%); e aqueles/as que documentam violações em conflitos (9,78%) foram os/as mais visados/as. (Consulte as páginas 6-13 para consultar os dados completos.)
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“Desde cortes drásticos de financiamento e conflitos violentos até a crescente repressão, mesmo em países que já os/as apoiaram, 2025 viu alguns momentos incrivelmente desafiadores para defensores/as de direitos humanos em todo o mundo”, disse Alan Glasgow, CEO da Front Line Defenders.
“O trabalho e a coragem contínuos dos/as defensores/as de direitos humanos diante desses riscos são muito maiores do que o nível de proteção e apoio a que têm acesso. Este deve ser um alerta para que os Estados comprometidos com tais direitos se esforcem mais para proteger DDHs e apoiar seus trabalhos corajosos.
“Os/As defensores/as mostram uma enorme resiliência na defesa dos direitos humanos – temos uma dívida de gratidão e apoio para manter suas lutas vivas.”
Diversos tipos de riscos para DDHs
De acordo com os dados da Front Line Defenders, a prisão/detenção arbitrária continuou a ser uma das violações contra DDHs mais comumente relatadas em todo o mundo, além de ameaças/outros tipos de assédio, vigilância, ação judicial e ameaças de morte (consulte as páginas 14-21 para uma análise mais detalhada, inclusive por região e por gênero).
Globalmente, os cinco setores de defesa dos direitos humanos mais atacados foram: direitos LGBTIQ+ (9,5%); liberdade de expressão (9,4%); direitos das mulheres (6,9%); movimentos por direitos humanos (6,1%) e movimentos por liberdade de reunião / protesto (5,4%). Embora representem proporções menores individualmente, os direitos fundiários, ambientais e dos povos indígenas representam 8,7% do total quando considerados coletivamente.
Regionalmente, as violações mais comumente relatadas contra defensores/as de direitos humanos foram: prisão ou detenção arbitrária no Oriente Médio e Norte da África (32,5%) e Ásia-Pacífico (16,1%); ameaças de morte nas Américas (24,2%); ameaças ou outro tipo de assédio na África Subsaariana (15,3%); e ações jurídicas na Europa e Ásia Central (14,9%).
A Front Line Defenders também documentou uma ampla gama de ameaças digitais contra DDHs incluindo vigilância/censura online, ameaças de violência ou assédio nas redes sociais, vigilância telefônica, interrogatório e confisco ou destruição de dispositivos.
Um ecossistema sob ataque
O ano passado viu uma onda acelerada de ataques à ordem internacional e o enfraquecimento dos sistemas, instituições e recursos que há muito sustentam a proteção dos direitos humanos. Cortes profundos na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento em diversos países provocaram uma grave crise de financiamento no setor – a Front Line Defenders entrevistou 60 organizações internacionais e regionais da sociedade civil, que relataram ter perdido um total de US$ 45 milhões em apoio direto à proteção no ano de 2025.
Estados em todas as regiões promulgaram novas leis repressivas – inclusive sob o pretexto de combate ao terrorismo, espionagem ou segurança nacional, leis de “agentes estrangeiros” ou outras medidas repressivas – que criminalizaram ainda mais os/as DDHs ou tornaram seus trabalhos mais desafiadores (uma lista de legislação restritiva está disponível nas páginas 69-75).
A combinação do ambiente mais repressivo com os cortes de recursos foi sentida na prática: os/as defensores/as de direitos humanos tiveram que interromper seus trabalhos e fechar suas organizações.
Vozes de determinação
O relatório inclui inúmeras vozes de DDHs falando diretamente sobre os desafios que enfrentam. Entre elas, estão contribuições de DDHs na Guatemala, RDC, Malásia, Tunísia, Equador, Eswatini/Suazilândia, Saara Ocidental Ocupado e defensores/as de direitos humanos do Egito que enfrentam repressão transnacional enquanto estão em exílio na Europa.
Lutfiye Zudiyeva, uma proeminente defensora de direitos humanos e jornalista tártara da Crimeia, que foi criminalizada por seu trabalho, escreveu um prefácio ao relatório em que disse:
“Para que esse movimento seja sustentável e efetue mudanças sistêmicas de longo prazo, precisamos do apoio consistente da comunidade internacional, dos governos e dos/as cidadãos/ãs. Os/As DDHs devem ser apoiados/as e capazes de viver e trabalhar sem medo, sabendo que não estão sozinhos/as.”
Nota aos/às editores/as:
As estatísticas na Análise Global têm base nos estudos de caso da Front Line Defenders, nos pedidos de subvenção aprovados (2.739 violações) e no trabalho de proteção digital (1.221 violações) entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2025. No total, as estatísticas refletem 3.960 violações relatadas em 119 países. A Front Line Defenders documenta diversas violações por caso ou subvenção, pois essa é a realidade vivida por defensores/as de direitos humanos. A documentação e as verificações de assassinatos de DDHs são conduzidas separadamente no âmbito do projeto Memorial de DDHs. Para obter mais detalhes, consulte a seção sobre Metodologia ao final do relatório.
